Monday, May 17, 2010

BEMVINDO/WELLCOME


Viajantes a serem recebidos numa estalagem/Travellers being welcomed at hostel; Tacuinum Sanitatis; 1385


Taleiga é o termo medieval para saco de provisões. Uma palavra que ainda existe hoje em Portugal e que está ligada à alimentação e ao propósito deste site.
O objectivo é difundir o conhecimento de muitos estudiosos profissionais (eu sou apenas uma amadora, comparativamente) já que o meu interesse pela Idade Média não só se reflecte pelo facto de se saber tão pouco acerca dela, mas também pelo facto deste período histórico ter ficado retido algures entre os preconceitos dos últimos sobreviventes do Império Romano e os que se diziam positivistas durante o século XIX. O objectivo é tentar fugir ao pensamento recorrente que advêm destes últimos intelectuais de que a cozinha medieval era gordurenta e nojenta.
Talvez devemos deixar de reflectir sobre o passado baseando-nos em conceitos actuais e chegar à conclusão de que o Homem medievo simplesmente gostava de uma prato rico em sabores. É difícil imaginar que tudo o que comiam estava podre ou, então, que uma receita que levasse 14 especiarias fosse pela simples razão do estado avançado de podridão dos seus ingredientes! Se os meios de conservação dos alimentos frescos ainda não se tinham desenvolvido ao ponto da refrigeração e da pasteurização, então comiam-se os alimentos assim que eles fossem colhidos ou abatidos e, quando isto não era possível, conservava-se com outros meios.
Muitos dos livros que li, e a maior parte da minha pesquisa, baseiam-se mais na alimentação na Península Ibérica, local privilegiado, pelo contacto com o Império Romano, invasões bárbaras e árabes e por estar intimamente ligada ao Atlântico e ao Mediterrâneo. Contudo, também fiz o esforço de mostrar que a alimentação medieval não era igual por toda a Europa e que cada região tinha os seus costumes.
Eis o propósito de A Taleiga: Mostrar, a quem se interessa por isto, a maravilhosa alimentação medieval cristã e como ela influenciou mais os tempos de hoje do que aquilo que gostaríamos de admitir. E para quem quiser, ainda há painéis de discussão sobre várias temáticas.



A Autora
Sara Seydak


Vejam também o meu outro site sobre vestuário medieval em:

http://acovilheira.blogspot.com/


“Taleiga” is a medieval word used to describe a provision bag. A word that still exists in Portugal and intimately linked to nourishment and the purpose of this site.
The purpose is to spread the knowledge of many specialists (I myself am only an amateur in comparison) perhaps because my interest in the Middle Ages doesn't only reflect the lack of knowledge of it, but also because this history period is caught somewhere between the prejudices of the last survivors of the Roman Empire and the ones who called themselves Positivists of the 19th century. The purpose is to try to distance oneself of the recurrent thought that medieval cuisine was greasy and disgusting.
Maybe we should stop thinking about the past based on current concepts and come to the conclusion that the medieval Man only liked a dish rich in flavors. It is hard to imagine that all that they ate was rotten or that a recipe would have over 14 spices only because of the advanced state of rottenness of its ingredients! If the conservation means hadn't developed themselves to the point of refrigeration and pasteurization then food would be eaten fresh as soon as it would be harvested or slaughtered and, when this wasn't possible, food was preserved through other means.
Many of the books I've read, and the majority of my research, are based on nourishment in the Iberian Peninsula, privileged place through its contacts with the Roman Empire, the Barbarian and Muslim invasions and because of its proximity with the Atlantic ocean and the Mediterranean. However, I also made an effort to show that medieval nourishment wasn't the same in whole of Europe and that each region had its costumes.
Here is the purpose of the “Taleiga”: to show, to who's interested, the marvelous medieval Christian nourishment and how it influenced our days more then we would like to admit. And for those interested there are discussion panels with many different topics.


The Author
Sara Seydak

Take a look on my other site on medieval clothing:
http://acovilheira.blogspot.com/

BIBLIOGRAFIA/BIBLIOGRAFY
Aguilera, César; “A história da Alimentação Mediterrânica”; Tradução: Nogueira Gil, Joaquim A. ; ed. Terramar; 1997

Dembinska, Maria; “Food and drink in medieval Poland – rediscovering a cuisine of the past”; Tradução: Thomas, Magdalena; University of Pennsylvania Press; 1999

Flandrin, Jean-Louis; Montanari, Massimo; “História da alimentação, Tradução: Maria Graça Pinhão; Vols. I, II”; ed. Terramar; 1998

Garcia, L. Jacinto; “Comer como Deus manda”; Tradução Luis Filipe Sarmento; Noticias editorial; 1999

Gies, Joseph & Frances; “Life in a Medieval Castle”; Perennial; 2002

Gonçalves, Iria; “Estudos Medievais – Entre a abundância e a miséria: Práticas alimentares na Idade Média portuguesa”; Livros Horizonte; Lisboa; 2004

Jacob, Heinrich Eduard; “6000 Anos de Pão”; Tradução: José Justo; Antígona/ Frenasi; 2003

Kanka, Mascha; “Brot und Brötchen aus der eigenen Backstube”; Weltbild; 1997

Laurioux, Bruno; “A Idade Média à mesa”; tradução P.E.A.; publicações Europa -América; 1989

Mattoso, António G. ; “Compêndio de História Universal – 4º ano”; Lisboa; 1951

Rocha, Rui; “A Viagem dos Sabores – século IX – XIX”; edições Inapa; 1998

“Libro de Sent Soví”; Barcelona; Tradução: Maurici Vives; MC ediciones, 2008

“Receitas Medievais”; publicação comemorativa da Feira Medieval de santa Maria da Feira de 2008