A ALIMENTAÇÃO NA IDADE MÉDIA/NOURISHMENT IN THE MIDDLE AGES

Troca de prendas/Exchanging gifts; "Le Trés Riches Heures du Duc de Berry"; Séc. XIV-XV/14th-15th c.




Uma visão geral

Temos que começar destruir o preconceito de que a Idade Média foi o período das trevas. Seria moral e eticamente errado fazê-lo e nunca poderíamos analisar este período histórico se nos deixássemos levar por preconceitos.
Na Idade Média surgiram muitas inovações, principalmente após o século XI, mas uma das mais interessantes foi a realização de um sistema agro-pecuário e a integração deste num sistema global de crenças religiosas e políticas, muito diferente e mais generalizado (alguns autores dizem que não tão eficiente) que a dos romanos. E é este que nos permite entender a alimentação neste período histórico: Com o aumento da população a produção também aumenta e igualmente a qualidade alimentar.
Para entender isto, temos que perceber que com a queda do Império Romano e com as Invasões Bárbaras, muito do que havia existido desapareceu (e nisto estão incluídas as tropas que garantiam a segurança, o sistema de estradas e os mercados), restando populações em fuga, aldeias desintegradas e terras abandonadas. As próprias estradas já não eram seguras. Já não havia razão para manter os antigos valores e técnicas. Muito do que havia sido desenvolvido em termos de tecnologia, como a canalização, o transporte, etc., havia sido esquecido, por causa do surgimento dos povos na Europa que dantes haviam sido subjugados pelos romanos e que desconheciam as técnicas administartivas destes últimos.
Mas não podemos ser tão preconceituosas e analisar a história apenas pelos olhos dos vencidos ou então pelo “libertos”. É que após a tempestade vem a bonança e se o Homem precisa de comer, precisa de cultivar a terra. As tarefas e empregos que são necessários à preservação da civilização humana continuam a persistir e todos aqueles que haviam abandonado as terras e todos aqueles que haviam guerreado os ocupantes romanos e os invasores bárbaros largam as armas e viram-se para o cultivo das terras. Nasce a necessidade de organização com o crescer das cidades e, consequentemente, uma economia tipo de mercado.
É o próprio Clero, com as suas ordens monásticas e influências sobre a Europa durante o período da cristianização, que lança o hábito da actividade agropecuária como corrente principal. Comparam a actividade agrícola como uma actividade abençoada por Deus. Os vastos espaços não cultivados (Incultum) foram arroteados e disto se conseguiu um desenvolvimento na produção cerealífera que era a base de toda a alimentação medieval.
Os grandes Senhores aglomeram as pequenas zonas de cultivo abandonadas em grandes propriedades sob o seu domínio, que arrendam em troca de bens e de impostos àqueles que necessitam de terra para a sua sobrevivência. Os Nobres passam para os filhos estes direitos e meios de subsistência.
O Estado (o monarca existente) vê nisto um meio para também lucrar ao obrigar que a Nobreza lhe jure fidelidade e pague os respectivos impostos com as terras que aglomera. Nasce aquilo que caracteriza tão bem a Idade Média: O Sistema Feudal.
A caça, as florestas, a exploração dos recursos naturais, tão característicos da Idade Média, já não são apenas actividades de todos (incluindo os pobres e os incultos), principalmente na segunda metade deste período histórico. Os reis e imperadores preocupam-se em controlar estes velhos recursos e passam a ser os inventários destes nos seus países (por exemplo, a caça ao urso, ao javali e ao veados passa a ser permitida apenas a alguns – Ius Regale).
Estes desenvolvimentos deram-se também pelo facto de haver necessidade em criar mercados internos, já que as relações comerciais exteriores durante a primeira metade da Idade Média, mais propriamente no período bizantino, haviam praticamente cessado. A Sul temos as ocupações árabes e a Norte temos a normanda (Vikings). Temos um Mediterrâneo sem utilização comercial desde a queda do Império Romano tal como as navegações no Estreito da Mancha. É a conquista do território europeu pela mão de monarcas cristãos que permite, não só a formação dos países quase como os conhecemos hoje em dia, mas também uma estabilidade desde há muito desejada, de Oeste a Oriente até à época dos Descobrimentos.
Em termos de alimentação, embora muito do que os romanos haviam criado houvesse sido abandonado, porque para a Igreja Cristã esses hábitos raiavam o paganismo, também não foram as Invasões Bárbaras que influenciaram por completo uma realidade de culinária e muito menos as árabes, por razões puramente religiosas. Temos, então 4 padrões diferentes (o romano, o bárbaro, o muçulmano e o cristão) que se mesclaram, em vez de se eliminar mutuamente, e que foram aprumados com as rotas das especiarias. Tudo isto é o paladar medieval europeu. A cozinha medieval não aparece do nada; não houve ruptura, nem revolução, segundo Bruno Laurioux. Ela é o produto de um desenvolvimento natural da história que com as suas guerras e os seus tempos de paz.
Mesmo que os povos bárbaros preferissem (segundo uma pura visão helenística de Tácito e de Estrabão) os recursos da floresta à agricultura, a caça à criação, a carne ao pão, o leite ao vinho e a manteiga ao azeite, foi curiosamente destes, principalmente dos Germanos, que surge uma nova classe dirigente na Europa: o Sacro Império Romano – Germânico. A mesma que permitiu que a Europa fosse cristã e una e, mesmo assim, conseguiu ser a que mais “protestava” as regras religiosas no século XV. Aquilo que Estrabão e Tácito não permitiram foi a divulgação da ideia de que cada povo desenvolve a sua cultura, incluindo a culinária, de acordo com a sua integração geográfica.
Desde a queda do Império Romano e desde a proliferação do cristianismo pela Europa, a Igreja Cristã deparou-se com um problema na alimentação das populações que, de acordo com os seus dogmas, era uma pecado mortal: A gula. Os povos europeus, mais ligados àquilo que a Igreja designava paganismo, não tinham limites naquilo que comiam. O que era cozinhado e servido estava de acordo com o que os seus antepassados também faziam e de acordo com todo um sistema cultural e de valores de que a comida era a força da mãe natureza.
Ora, segundo os antigos costumes eram os dias festivos, que celebravam deuses e espíritos, os que eram de maior excesso. E exactamente para impedir a continuação deste raciocínio, para incutir nas populações um sentimento cristão de humildade e contenção, tal como os monges o faziam ao imitar a vida de Cristo, a Igreja estabeleceu uma série de regras a respeitar ao longo do ano e que se concentravam mais nos dias santos: As regras de abstenção. O calendário cristão passou a ditar o comportamento alimentar deste continente e era constituído por mais 200 dias do ano de privações, proibições e jejuns (destes num total anual de 70 dias!). Isto chegou ao ponto das classes financeiramente mais avantajadas comprarem bulas papais o que, no final da Idade Média, provocou as revoltas religiosas. E foi exactamente no Norte da Europa que a Igreja encontrou mais dificuldades. Irónico!
As novas regras para a Europa Cristã Medieval abrangiam tudo, desde a proibição do uso da carne até a obrigação do uso da carne de porco (explicado melhor no capitulo da carne). Muitas das proibições eram contraditórias ou então suscitavam dúvidas sobre o que era considerado carne ou não (os moluscos, por exemplo) e se os peixes gordos podiam ser consumidos em dias magros. Algumas permaneceram, como a 6ª feira ser dia de comer peixe ou algumas das tradições culinárias que respeitamos na Páscoa ou no Natal (não esquecer que no mundo medievo a Páscoa era muito mais importante que o Natal).
Assim, o calendário medieval estava dividido em duas partes, a das obrigações religiosas e a dos festejos. Variava entre os dias magros e os excessos absurdos. Os festejos eram de elevada importância para a vida do Homem medieval, já que era considerado o período de comunicação por excelência. Eram nos banquetes aristocráticos (Convivium) que eram celebrados acordos, vassalagens, paz, concordância, confiança e solidariedade. Eram períodos de distracção do mundano. Qualquer desculpa servia: Para além dos óbvios casamentos, baptizados e celebrações de tratados e promessas, também os funerais, as chegadas e partidas de familiares, amigos e vizinhos, etc. Era também pela variedade e exuberância dos pratos servidos e pelo número de convidados presentes que alguém se destacava. Não deixava de ser uma forma de “marketing”.
Mas, mesmo que a restrição alimentar imposta pela Igreja fosse grande, as próprias ordens monásticas fugiam deste conceito e algumas chegavam a rivalizar a própria gula. Era o Clero que mais desrespeitava estas regras, ao ponto de surgir uma divisão: O alto Clero que em tudo se igualava à Nobreza e o baixo Clero que se esforçava por uma vida modesta. Mesmo que o peixe, o pão e os legumes devessem ser preferidos à carne, a imaginação dos monges ultrapassava a do comum individuo. Como se diz: O engenho faz o Homem. Também não nos podemos esquecer que os mosteiros (tal como as cozinhas dos castelos) tinham os seus próprios campos de cultivo, gado e fornos e os seus próprios rendimentos com os dotes dos que ingressavam nas suas hostes e, por conseguinte, acesso a bens de luxo como o açúcar e as especiarias exóticas.
Surgem leis sumptuárias para delimitar as classes sociais e do que elas podiam comer, para travar não só os excessos na classe monástica, mas tmabém travar a tentativa da crescente Burguesia em se igualar com à Nobreza. Mas algumas diferenças já existiam, como por exemplo as diversas partes do animal a que cada um tinha direito, sendo o chefe de família o que recebia a melhor parte, passando depois para a sua mulher e filhos e depois para a criadagem (estes muitas vezes só comiam as miudezas). Igualmente, não nos devemos esquecer que nesta época só haviam duas refeições ao dia: O Prandium (uma espécie de pequeno almoço ao meio da manhã; as pessoas acordavam e iam trabalhar em jejum) e a Coena (o jantar; de onde vem a palavra “ceia”).
Contudo, deparamo-nos com uma dificuldade: Tudo o que se possa estudar sobre a alimentação na Idade Média provém únicamente dos poucos registos deixados desde esses tempos. Nesses registos (receitas, folhas de pagamento de impostos, registos comerciais, balanços de vendas, vistorias às despensas, etc.) encontram-se, principalmente, o que as pessoas de posse faziam e tinham. Os pobres não estão incluídos. E por mais que nós tentemos, nunca se irá saber na totalidade do quê o povo se alimentava e quais as suas receitas. Não existem registos da prática alimentar camponesa, só da aristocrática, do Clero e da Burguesia.
O que sabemos hoje vem destes registos e de algumas compilações de receitas, muitas delas só existentes a partir do século XIV (numa era pré – Gutemberg) e em que, a maior parte do tempo, faziam parte de estudos científicos medievais. Tal como hoje, aprendia-se com as mães, as donas de casa, os profissionais. As receitas eram passadas oralmente até que, algum dia, alguém se lembrasse de as apontar e, com sorte, esse documento sobrevivesse até hoje. Muitos dos documentos sobre os quais se baseiam as pesquisas sobre a alimentação na Idade Média vêm dos escritos preservados nas ordens monásticas, porque essas eram as únicas que tinham tempo e conhecimento suficiente para as escrever.
E como essa alimentação era diferente! Mesmo que houvesse variedade nos produtos, a alimentação medieval é caracterizada pela repetição da ingestão dos alimentos, em todas as classes. E se tal também acontecia na Nobreza, era a classe trabalhadora que mais sofria de má nutrição (e não subnutrição!), sendo o consumo excessivo do pão, uma das características mais fortes. Não que as classes mais baixas passassem a fome excessiva do nosso imaginário, eram sim malnutridos, pelas mesmas razões que as classes superiores. Sobreviviam com aquilo que conseguiam cultivar e criar, enquanto que as outras classes, que tinham meios de compra para uma variedade maior de alimentos, preferiam manter os mesmos costumes alimentares. A ideia do que era salutar em termos de nutrição era bem diferente de hoje em dia porque persistia no pensamento medieval de que era a quantidade que determinava a saúde e não a diversidade.
E a maior parte da alimentação medieval era baseada em alimentos frescos, colhidos para o propósito, algo que muda o que nós pensamos sobre a qualidade dos alimentos de então. Assim, a Primavera e o Verão eram as estações do ano mais esperadas porque traziam consigo a qualidade e a quantidade que as outras duas estações não tinham. Mas o que faziam então as pessoas quando a Natureza lhes era adversa? Os alimentos quando não consumidos frescos eram conservados através do fumeiro, da salga, do vinagre, da cristalização, secos ao sol, cozinhados em pastas, marmeladas e doces, colocados em mostarda e outras especiarias, em azeite; a fruta, os legumes, a carne, o peixe, os produtos lácteos, os ovos, as nozes. Estas técnicas foram desenvolvidas e usadas para garantir uma alimentação ao longo do ano e para dias de maior fome.
Temos que nos lembrar que os regionalismos também influênciavam enormemente a alimentação dos povos que habitavam as diferentes partes da Europa. O que era comum para uns, era exótico para outros (por exemplo, a famosa trilogia alimentar, explicada mais à frente, do pão, vinho e azeite era praticamente inexistente em certas partes deste continente). Algumas regiões aceitavam bem as influências exteriores, outras não. Países colocados entre outros de grande prestígio, como a França, Itália, o Império Bizantino ou mesmo o próximo oriente, tinham as suas modas revistas a partir do que era considerado de bom-tom nos outros países. Normalmente eram os tempos de paz e, muitas vezes um monarca visionário, que determinava o grau de inclusão de novas tradições ou de quebra de velhas. E, mesmo assim, analisar tudo a partir do ponto de vista do nacionalismo faz surgir questões como: O que é nacional para um país ou Estado quando este é o resultado de inimagináveis influências?
A maior parte do estudo da Idade Média vem de uma base rígida e imutável em que tudo é analisado a partir das classes sociais: a Nobreza, o Clero e o Povo. Mas, para algumas regiões da Europa este conceito não se aplica. Os mais a Norte e mais a Leste tiveram um desenvolvimento diferente daquilo que nós na Península Ibérica (muito apegados ao cristianismo e outras religiões monoteístas) e nas regiões imediatas aos Pirenéus tivemos. Pelo facto de provirem de tribos e clãs que sobreviveram, em muitos casos, para além do século XIV, a sua divisão destas 3 classes era algo diluído. Assim temos exemplos de Homens -livres detentores de terras e bens e que não pertenciam à Nobreza e temos sujeitos pertencentes à baixa Nobreza que tinham que se dedicar à agricultura e venda destes bens para terem meios de subsistência. Exemplos destes também encontramos na sociedade medieval Ibérica, a partir dos quais se desenvolve a Burguesia (que é mais um dos conceitos que nos ensinaram na escola como inexistentes na Idade Média).
Um dos outros aspectos que influência o estudo da alimentação é a separação entre o que é comido no mundo rural e o que é na urbe. Num, os alimentos eram recolhidos e preparados frescos, estando a economia local e a alimentação inflexivelmente ligada à capacidade de produção, enquanto que nas cidades, a maior parte do que era consumido era importado do território nacional ou estrangeiro (havendo maior diversidade de produtos) fazendo com que os preços subissem.
Como foi visto, o assunto Alimentação envolve muitos pormenores, que só por si davam um outro website e que, para ser bem entendido, precisa de explicações introdutórias. Nada na História se explica isoladamente e muito menos um tópico como este. Espero que o leitor tenha criado uma luz sobre a Alimentação na Idade Média antes de entrar nos temas mais particulares abaixo.

A global perspective

We have to start to destroy the prejudice that the Middle Ages were the ages of darkness. It would be morally and ethically wrong to do so and we never could analyze this historical period if we would let us lead by prejudices.
In the Middle Ages many new techniques appeared, mainly after the 11th century, but one of the most interesting ones was the creation of a farming system and the integration of it in a religious and political one, much different and more generalized (many authors say not so efficiently) than the Roman one. And this is what permits us to understand nourishment in this history period: With the growth of population comes the growth of production and also the quality of food.
To understand this we have to realize that with the fall of the Roman Empire and with the Barbarian invasions a lot that has existed (and here are included the military that ensured safety, the road network and markets) had disappeared leaving fleeing populations, villages falling apart and land being abandoned. There was no longer a reason for keeping old values and techniques. A lot that had been developed in terms of technology, like pluming, transportation, etc, had been forgotten, because of the arrival of people that had been subdued by the Romans and that didn't knew about the administrative techniques of the latter.
But we cannot be so prejudice in understanding History through the eyes of the looser or even the “freed”. After the storm comes calm and if mankind needs to eat, then he needs to work the land. The tasks and jobs necessary for human preservation keep on persisting and all of those who abandoned the lands and all of those who fought the Romans and the Barbarians leave their weapons and turn to agriculture. The necessity of organization is born with the growth of the towns and, consequently, a type of market economy.
It is the Clergy, with its Orders and its influences over Europe during the Christianization period, that begins the habit of mainstream farming. They compared agricultural activity as one blessed by God. The vast non cultivated areas (Incultum) were cleaned and from this a big grain production, that was the basis of all medieval nourishment, emerged.
The Lords included the small abandoned lands in large properties under their domain, that they rent in exchange of goods and taxes to those that need land to survive. The nobles passed then these rights and means of living to their children.
The State (the Monarch) sees also this as a mean to profit and obliges the Nobility to swear allegiance to him and to pay the corresponding taxes. That which characterizes the Middle Ages the best is born: The Feudal System.
Hunting, forests, exploration of natural resources, so characteristic of the Middle Ages, are no longer, mainly in the second half of this period, an activity developed by any person including the poor. Kings and Emperors are preoccupied in controlling these old resources and become the holders of these rights in their own countries (for example hunting for boars, deers and bears is permitted only to a few – Ius Regale).
These developments happened because of the necessity of creating internal markets, as the external relations during the first half of the Middle Ages, more at the Byzantine period, almost stopped. Southwards we have the Moorish occupation and in the North we have the Normans (Vikings). We have a Mediterranean sea almost with no commercial traffic after the fall of the Roman Empire, as well as the English Channel. It is the conquest of the European territory by the hand of Christian Monarchs that allows, not only the formation of countries as we know them today, but also the stability for so long, from East to West until the Maritime Discoveries.
In terms of nourishment, although what the Romans developed had been put aside, since it was purely pagan for the Christian church, it wasn't the Barbarian Invasion that completely influenced a culinary reality and not even the Arab one, for purely religious reasons. So, we have 4 different patterns (the Roman, the Barbarian, the Arab and the Christian) that mixed instead of eliminating themselves and that were enlarged by the spices routs. All of this is the European palate. The medieval cuisine doesn't appear from nothing; there was no rupture or revolution according to Bruno Laurioux. It is the product of natural historical development with its wars and peace times.
Even if the Barbarian (according to a purely Hellenistic point of view from Tacitus and Strabo) preferred forest resources to agriculture, game to breading, meat to bread, milk to wine and butter to olive oil, curiously it was from these people, more exactly from the Germanic people, that came a new leading class in Europe: The Holy Roman Empire. The same that permitted a united Christian Europe and, never the less, was able to be the one that “protested” the Christian rules the most in the 15th century. That which Tacitus and Strabo weren't able to allow was the dissemination of the idea that each people develop their culture, including its culinary, through its geographical integration.
Since the fall of the Roman Empire and the spread of Christianity in Europe that the Christian church was confronted with a problem in how people ate and that, according to its dogmas, was a sin: Gluttony. The European were more linked to what the church regarded as paganism and had no limits in what they ate. What was served and eaten was the same as what their ancestors did and what a cultural values system said about food being nature's strength.
According to ancient costumes, the festive days, that celebrated the gods and the spirits, had the most excesses. And to stop this type of thinking, to insert a Christian feeling of humility and containment, just like monks did by imitating Christs life, the Church established a set of rules that should be respected throughout the year and that were more stricter on holy days: The rules of abstention. The Christian calendar dictated nourishment behavior of this continent and it was made of more than 200 days of deprivations, prohibitions and fasting (this last ones had an annual total of 70 days!). This came to a point were the more rich bought papal bulls and that provoked, at the end of the Middle Ages, the religious tumults. And it was in the North that the Church encountered more difficulties. Ironic!
The new rule for medieval Christian Europe covered everything, from the prohibition in eating meat to the obligation of eating pork (better explained in the chapter about Meat). Many of the prohibitions were contradictory or raised doubts of what should be eaten or not (like mollusks) and if fatty fish could be eaten on fasting days. Some stayed, like Friday being the day where we eat fish or like some culinary traditions that we respect on Easter and Christmas (don't forget that Easter was more important than Christmas in the Middle Ages).
So, the medieval calendar was divided into two parts, the one of the religious obligations and the one of festivities. It varied from the lean days to the absurd excesses. Festivities had great importance in the life of the medieval Man, since it was considered a time of communication. It was in the aristocratic banquets (Convivium) that treaties, alliances, peace, agreements, trust and solidarity were celebrated. It were distraction days form the mundane. Any excuse would do: Apart from the marriages, baptisms and celebrations of treaties and promises, also funerals, arrivals and departures of family members, friends and neighbors. It was also through the variety and exuberance of the dishes and by the number of guests that someone became noticed. It was a sort of a marketing technique.
But even if the Church's food restrictions were high, the same monastic orders were the ones who departed themselves from this concept and began to rival gluttony. It was the Clergy itself that was the one that most disrespected these rules to a point where a rift appeared: The high clergy that in every manor was similar to Nobility and the lower Clergy that made an effort to lead a modest life. Even if fish, bread and vegetables should be preferred to meat the monks' imagination overcome the one of the common Man. It is as said: Ingenuity makes the Man. We shouldn't also forget that the monasteries (just like the castle's kitchens) had their own fields, livestock and ovens and their own income from the dowries from those who joined them and, therefore, access to luxury items like sugar and exotic spices.
Laws on luxury appeared to limit classes and what they could eat to stop the exaggerations of the monastic class, but also to stop the Bourgeoisie to try and equal themselves to Nobility. But some differences already existed like the different parts of the animal that anyone had the right to eat, being the head of the family the one that received the best parts, then his wife and his children and then the servants (these sometimes only ate the offal). Likewise, we mustn't forget that at this time there were only two meals a day: The Prandium (a sort of breakfast at the middle of the morning; people woke up and went to work with an empty stomach) and the Coena (dinner).
However, we come across a difficulty: Anything that can be studied from medieval nourishment comes only from the few surviving records from that time. In those records (recipes, tax sheets, commercial registers, sale sheets, dispensaries surveys, etc) are found what people with possessions had and did. The poor are never included. And as hard as we try, we will never know fully of what the commoners lived from and what their recipes were. There are no records of the nourishment traditions of the lower classes, only from the Nobility, the Clergy and the Bourgeoisie.
What we know today comes from those records and from those few recipes, many of them only after the 14th century (in a time before Gutenberg's print) and in which, most of the times, were part of medieval scientific treaties. Just like today, cooking was learned from mothers, house wifes and professionals. Recipes were mouth transmitted until someone remembered to write them down and, with luck, that document would survive until today. A lot of the old documents about medieval nourishment come from writings stored in monastic orders, because those were the only ones who had the time and knowledge to write them down.
And how this nourishment was different! Even if there was variety in produce medieval nourishment was characterized by repetition of the ingestion of food in all the classes. And if that also happened in Nobility, the Plebe were the one who suffered the most of malnutrition (and not sub-nutrition!), being the excessive consuming of bread the strongest characteristic. It is not that the lower classes starved as we like to think, they were badly nourished just like the higher classes. They survived on what they could grow, as for the other classes, who had financial means to buy a larger variety of produce, chose to keep the same food habits. That which persisted in medieval thought on what was healthy was the quantity of food and not the variety.
And most of medieval nourishment was based on fresh produce, picked for that purpose, something that changes our way of thinking about the quality of produce back then. So, Spring and Summer were the most awaited seasons because they brought with them the quality and quantity of food that the other two seasons hadn't. But what did the people do when nature was adverse? Produce that wasn't eaten fresh was preserved through smoking, salting, vinegar, crystallization, sun dried, boiled into pastes, jams and sweets, put in mustard and other spices, in olive oil; fruit, vegetables, meat, fish, dairy products, eggs, nuts. These were the developed and used techniques to allow the presence of food through out the year and on hunger times.
We have to remember that regionalisms also influenced enormously the nourishment of those who lived in different parts of Europe. What was common for some was exotic for others (for example, the food trilogy explained further on, of bread, wine and olive oil, was almost inexistent in some parts of this continent). Some regions accepted well external influences, others didn't. Countries who were next to others of great prestige, like France, Italy, the Byzantine Empire and even the Orient, had their fashions reviewed according to what was in in those. Normally peace times and also a visionary monarch determined the level of inclusion of new traditions and the breaking of old. And even analyzing everything from a nationalist point of view rises questions like: What is national to one country or State when it is the result of unimaginable influences?
Most of the medieval studies come from a rigid and non mutable basis of social classes: Nobility, Clergy and Plebe. But in some European regions this concept doesn't apply. The ones more to the North and East had a different development of what we in the Iberian Peninsula (much attached to the Christian Church and other monotheistic religions) and the lands near to the Pyrenees had. Because they came from tribes and clans that, in many cases survived later then the 14th century, their division of the three classes was somewhat diluted. So we have free Men that were proprietors and that didn't belong to Nobility and individuals that belonged to the lower Nobility that had to dedicate themselves to farming and in selling its produce in order to have income. Examples like these were also find in the Iberian medieval society and from which comes the Bourgeoisie (one of the concepts that was taught in school as non existent in the Middle Ages).
Another aspect that influences the studies of nourishment is the separation of what is eaten in rural and urban areas. In one food was picked and prepared fresh, being local economy and nourishment inflexibly attached to production capacities, while in cities most of what was consumed was imported from national or foreign territory (existing a higher variety of products) provoking a rise in prices.
As seen, the nourishment theme involves many details, that on their own would create a different website and to be well understood needs introductory explanations. Nothing in History is explained on its own and not even a topic like this. I hope that the reader has been lightened on Nourishment in the Middle Ages before entering in the more particular topics below.